quarta-feira, 20 de agosto de 2008

As vantagens da salicórnia numa reportagem da Globo Repórter

Uma terra de contrastes, com ilhas, mar, águas quentes e até neve. Assim é Santa Catarina. Mas a equipe do Globo Repórter seguiu a rota de uma outra riqueza, um tesouro guardado em Itajaí, a 90 quilômetros de Florianópolis. Nossos repórteres entraram no que os pesquisadores chamam de Banco de Germoplasma. O nome parece complicado. Só parece, porque o banco é mesmo uma enorme horta de plantas medicinais, uma farmácia viva.

Na área de 5 mil metros quadrados, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) mantém mais de mil espécies de plantas.



"Na verdade, nós temos um arsenal de plantas que poderão tratar pelo menos umas 200 doenças que o ser humano já conhece, justamente porque o número de espécies é grande e cada espécie tem várias atividades diferentes", diz Amaury Jr., engenheiro agrônomo da Epagri.

E nesse arsenal tem novidades para os hipertensos, portadores de doenças cardíacas e renais. Está saindo do forno a pesquisa que pode revolucionar os hábitos alimentares e a saúde do brasileiro. Galhinhos secos, depois de triturados, se transformam em um pó. São de uma planta que pode substituir o sal de cozinha.

Amaury Jr. Diz que o pó pode ser usado como sal na comida. "A planta tem um sabor salgado suave, que não causa problemas, com todas as vantagens de um sal light. É salgado na dose adequada, para não causar nenhum problema à saúde do ser humano e com todas as vantagens que o sal poderia ter em termos de micronutrientes e outros componentes", explica o pesquisador.

Vantagens do sal verde que os pesquisadores já têm confirmação científica.

"As principais atividades da planta são ação antioxidante, imunoestimulante, protetora de tumores, diurética e repositora eletrolítica. Seria totalmente benéfico substituir esse produto pelo sal porque a pessoa ganha em saúde. Ela não vai ter tanto problema de hipertensão arterial. Ao mesmo tempo, a planta evita o envelhecimento precoce das células. O sal comum leva as pessoas a terem um envelhecimento mais precoce de células", ressalta Amaury Jr.

Esse novo sal nasce, literalmente, da terra. Uma planta rara encontrada por acaso, perto de área de mangue em Santa Catarina. Uma das responsáveis pela descoberta é a produtora de ervas Cecília Cipriano Osaida, a Ciça, que observa a natureza sempre com muita curiosidade.

"Nós levamos essa planta para ver do que se tratava e descobrimos que era a erva de sal, a salicornia", conta Ciça.

Foi uma surpresa. O incrível é que a erva é da família da beterraba e absorve o sal do mar, que está logo ali.

"Essa planta é famosa na Europa. Nós não fazíamos nem idéia de que tínhamos essa planta no nosso litoral", diz Ciça.

O grande desafio agora é saber como ela pode ser produzida em quantidade para chegar à mesa do consumidor. Uma prova das infinitas possibilidades das plantas brasileiras.

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